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CAPIBA - MADEIRA QUE CUPIM NÃO RÓI
CAPIBA - MADEIRA QUE CUPIM NÃO RÓI

MESTRE CAPIBA 

Lourenço da Fonseca Barbosa, conhecido mundialmente como Capiba (1904–1997), foi um dos maiores compositores de frevo da história do Brasil e uma figura central da cultura de Pernambuco.

Capiba, teve uma infância profundamente ligada à música devido à influência familiar e às mudanças constantes pelo Nordeste. Nasceu em 28 de outubro de 1904, em Surubim, Pernambuco. Filho de Severino Atanásio de Souza Barbosa e Maria Digna.

Seu pai era mestre de banda, professor de música, orquestrador e multinstrumentista, o que garantiu que Capiba e seus doze irmãos crescessem cercados por instrumentos. Início Precoce, começou a estudar música com o pai e, aos oito anos, já tocava trompete. Em 1907, a família mudou-se para o Recife e, no ano seguinte, para Floresta dos Leões (atual Carpina).

Infância na Paraíba: Ainda criança, mudou-se para a Paraíba (Taperoá e Campina Grande). Foi nessa época que começou a trabalhar como pianista em cinemas mudos e em salas de espera, ganhando experiência prática na improvisação e acompanhamento musical.

Capiba era primo de Abelardo Barbosa (o Chacrinha) e irmão do também compositor Marambá. Além do trompete e do piano, sua base musical foi rigorosa, permitindo que ele transitasse entre o popular e o erudito com facilidade desde jovem.

A Canção "Maria Betânia"  Capiba compôs a canção "Maria Betânia" (uma valsa-canção) em 1943. A música tornou-se um imenso sucesso na voz de Nelson Gonçalves.

imagem youtube

A música "Madeira que Cupim Não Rói" (formalmente intitulada Madeira de Lei que Cupim Não Rói) é considerada o hino da resistência do Carnaval de Pernambuco. Sua história é marcada por um sentimento de injustiça e superação ocorrido no início da década de 1960.

Um Protesto Musical - A canção foi composta por Capiba em 1963 como um desabafo. Naquele ano, o bloco carnavalesco misto Madeira do Rosarinho, do qual Capiba era torcedor e colaborador, perdeu o concurso oficial de agremiações do Recife para o bloco Batutas de São José.

Inconformado com o resultado, que considerou injusto, Capiba escreveu a letra para reafirmar a força e a tradição do seu bloco. Os versos mais famosos refletem diretamente esse episódio:

"Queiram ou não queiram os juízes / O nosso bloco é de fato campeão /(...) Viemos dizer bem alto que a injustiça doí / Nós somos madeira de lei que o cupim não rói"

imagem youtube

A ironia histórica é que, embora tenha perdido o concurso oficial, a música se tornou um sucesso tão avassalador que o Madeira do Rosarinho foi ovacionado pela multidão durante o desfile das campeãs. Com o tempo, a composição transcendeu a rivalidade entre os blocos e passou a ser cantada por todos os foliões como um símbolo de persistência e orgulho da cultura pernambucana. 

A expressão "madeira de lei que cupim não rói" é uma metáfora para algo incorruptível e resistente, que não se dobra diante de ataques ou adversidades. Em 2026, a obra permanece como uma das marchas-de-bloco mais executadas e emocionantes do Brasil.

PRINCIPAIS LEGADOS 

Rei do Frevo: Ele compôs clássicos imortais que definem o Carnaval de Pernambuco, como "Madeira que Cupim não Rói", "Os de Chapéu de Sol Aberto" e "Valsa Verde".

• Versatilidade: Apesar de ser famoso pelo frevo, Capiba foi um músico erudito e completo. Compôs valsas, choros, sambas e até missas e peças para piano.

• O "Pai" da Jazz-Band Acadêmica: Foi funcionário do Banco do Brasil e fundou a Jazz-Band Acadêmica da Faculdade de Direito do Recife, que animou os bailes da elite e do povo por décadas.

GRANDES INTÉRPRETES 

Chico Buarque, Gal Costa, Caetano Veloso e Ney Matogrosso: Reuniram-se em uma coletânea especial para gravar diversos clássicos do compositor, como forma de homenagem ao seu legado.

• Alceu Valença: Interpretou sucessos como "Madeira Que Cupim Não Rói", um dos hinos do Carnaval pernambucano.

• Luiz Gonzaga: O Rei do Baião também registrou obras de Capiba, reforçando a conexão nordestina do compositor.

• Elza Soares e João Bosco: Estão entre os grandes nomes que colocaram suas vozes em composições do mestre.

• Linda e Dircinha Batista: Gravaram a música "Carro de Boi" ainda na década de 1950.

• Edu Lobo: Gravou o famoso "Frevo Nº 1 do Recife".

• Claudionor Germano: Conhecido como a "voz de Capiba", ele dedicou álbuns inteiros à obra do compositor, sendo o seu maior divulgador.

Outras Canções de Sucesso Gravadas

• "Serenata Suburbana": Gravada por Nelson Gonçalves e outros nomes da era de ouro do rádio.

IMAGEM YOUTUBE - Estúdio Térreo

• "É de Amargar": Seu primeiro grande sucesso nacional (1933), que ganhou inúmeras regravações ao longo das décadas.

IMAGEM YOUTUBE - Alfredo Pessoa

• "Os Melhores Dias de Minha Vida": Recentemente reinterpretada por artistas como Siba no projeto Frevo do Mundo.

IMAGEM YOUTUBE - Abílio Neto

Frevos-Canção Inesquecíveis

Os maiores sucessos de frevo de Capiba são pilares do Carnaval de Pernambuco, dividindo-se principalmente em frevos-canção e marchas de bloco.

IMAGEM YOUTUBE - RAFHAEL RABELLO E CHICO BUARQUE

Alfredo Pessoa

YOUTUBE GOSTO DE VER, MORE - NELSON GONÇALVES 

RMC PRODUÇÕES

YOUTUBE A PISADA É ESSA - ANTÔNIO NÓBREGA 

Antônio Nóbrega

YOUTUBE CALA BOCA MENINO - SONOCOM GRAVAÇÕES E EDIÇÕES MUSICAIS

 

YOUTUBE OH! BELA - CAPIBA - ORQUESTRA E CORO RCA VICTOR

 

YOUTUBE Frevo Nº 1 do Recife - Coral Madeira de Lei

RÁDIO FREVO PE 

YOUTUBE QUEM VAI PRA FAROL E O BONDE DE OLINDA - CAPIBA

A frase "Quem nasceu em Recife, Olinda Pernambuco e nunca pulou um frevo de Capiba??" é uma expressão cultural que destaca a importância do frevo, um ritmo musical e dança tradicional de Pernambuco, especialmente nas cidades de Recife e Olinda. Lourenço da Fonseca Barbosa, conhecido como Capiba, foi um dos maiores compositores de frevo e música popular pernambucana, e suas composições são parte essencial da cultura local.

HOMENAGEM AO GRANDE LOURENÇO DA FONSECA BARBOSA

Capiba recebeu inúmeras homenagens que consolidaram seu status como o "Mestre do Frevo" e um dos maiores ícones culturais do Brasil. Em 2026, seu legado continua sendo celebrado com novas honrarias e preservação de sua memória.

Principais Títulos e Homenagens

• Homenageado do Carnaval de Pernambuco (2025): Recentemente, em fevereiro de 2025, Capiba foi o grande homenageado (in memoriam) do Carnaval oficial do estado, celebrando sua contribuição para imortalizar o frevo.

• Título de Cidadão do Recife: Embora nascido em Surubim, recebeu o título de cidadão recifense pela sua identificação e exaltação à capital pernambucana em suas obras.

• Imortal da Cultura: É frequentemente referido como um "imortal" da memória pernambucana, tendo sido homenageado inclusive nos 200 anos do Diario de Pernambuco em novembro de 2025.

Vencedor de Certames Históricos: Em 1934, consolidou sua carreira nacional ao vencer o concurso de música carnavalesca com o frevo-canção "É de Amargar".

Honrarias em seu Nome

Prêmio Capiba de Blocos Líricos: Criado pela Prefeitura do Recife para incentivar e premiar a tradição dos blocos líricos (mistos) durante o Carnaval.

• Casa Capiba / Memorial: Sua antiga residência no Recife foi restaurada e reinaugurada em 2025 como um memorial e espaço para o Conservatório Pernambucano de Música.

• Instituto Capiba: Inaugurado em julho de 2025 no Bairro do Recife, o instituto visa preservar, difundir e valorizar o vasto acervo do compositor.

• Estátua e Edifícios: Possui uma estátua em sua homenagem no Recife e dá nome a edifícios e até a uma moeda social digital da prefeitura ("Capiba"), pioneira no país.

• Sua obra erudita, como a Missa Armorial, também o posicionou como uma figura central do Movimento Armorial, idealizado por Ariano Suassuna, conferindo-lhe prestígio nos círculos de música clássica e artes plásticas.

NOSSA HOMENAGEM  

O Centro da Música Carnavalesca de Pernambuco – CEMCAPE

O Centro da Música Carnavalesca de Pernambuco – CEMCAPE, fundado em 1986, situado na Casa da Cultura de Pernambuco, através do seu Departamento de Pesquisa e Produção Musical (Museu do Frevo Levino Ferreira), dedica-se à preservação e produção de todos os ritmos do carnaval de Pernambuco e cuja divulgação vem sendo efetivada através do programa radiofônico "O Tema é Frevo" apresentado pelo radialista Hugo Martins, desde o ano de 1967, na Rádio Universitária FM da Universidade Federal de Pernambuco, responsável por manter acesa esta chama há mais de 50 anos.